Plantação de igrejas parece estar na
moda em nossos dias. Mas eu diria que revitalizar igrejas existentes é, no
mínimo, tão importante para a causa do reino. De fato, revitalizar uma igreja
não saudável é como ter “dois pelo preço de um”. Você não apenas estabelece uma
base de operações reformada e vibrante para o evangelho, mas também elimina o
fraco testemunho que havia antes. Igrejas doentes são, como afirma Mark Dever,
“forças anti-missionárias terrivelmente eficazes”. Elas anunciam à comunidade:
“É assim que um cristão é! É assim que um cristão é!”. Tal propaganda enganosa
difama o evangelho e, de fato, impede o evangelismo nas proximidades daquela
região. Mas, quando uma igreja é transformada, o evangelho cresce e avança à
medida que a comunidade é confrontada com um genuíno testemunho corporativo de
Cristo.
Eu testemunhei duas reviravoltas em
igrejas, uma em Louisville, Kentucky, EUA, e outra em Dubai, nos Emirados
Árabes Unidos. Em ambos os casos, as igrejas foram completamente transformadas,
da pregação à adoração corporativa, à cultura da igreja, ao impacto
evangelístico nos bairros vizinhos. Em ambas as reviravoltas, embora não possa
reivindicar o crédito por nenhuma delas, eu desfrutei de um lugar na primeira
fila para observar a reforma radical de uma igreja.
O que tornou aquelas reformas de
igreja possíveis?
Pregação
A força motriz por trás de qualquer
reforma verdadeira será a Palavra de Deus. Ao operar no meio de uma
congregação, a Palavra prepara e amacia o solo árido e produz mudança
espiritual. Em Dubai, havia membros fiéis que labutavam há anos, mas sem grande
resultado; eles não estavam sendo apoiados de
modo consistente pelos sermões dominicais. Eles tentavam corajosamente fortalecer a comunidade, mas algo estava faltando. Porém, quando a pregação se tornou consistemente expositiva e centrada no evangelho, foi como se alguém jogasse um palito de fósforo aceso na gasolina. O ministério se multiplicou. Quando a igreja começou a passar pela reviravolta, um membro de longa data comparou a pregação a um fogo de artilharia semanal. O persistente lançar da Palavra amenizou a oposição e abriu caminhos para que mais ministérios frutíferos surgissem no meio do corpo.
modo consistente pelos sermões dominicais. Eles tentavam corajosamente fortalecer a comunidade, mas algo estava faltando. Porém, quando a pregação se tornou consistemente expositiva e centrada no evangelho, foi como se alguém jogasse um palito de fósforo aceso na gasolina. O ministério se multiplicou. Quando a igreja começou a passar pela reviravolta, um membro de longa data comparou a pregação a um fogo de artilharia semanal. O persistente lançar da Palavra amenizou a oposição e abriu caminhos para que mais ministérios frutíferos surgissem no meio do corpo.
O púlpito deve conduzir o esforço de
reforma de uma igreja e isso significa pregar expositivamente, com ênfase no
evangelho e aplicações pertinentes à vida da igreja, especialmente naquelas
áreas que precisam de reforma. Se o púlpito não estiver firme por trás do
esforço, os reformadores provavelmente estão perdendo tempo. É melhor mudar
para um lugar onde a Palavra já esteja sendo devidamente pregada e descobrir
como aquele ministério pode ser apoiado.
Providência
Igrejas moribundas apenas serão
vivificadas se Deus estiver operando nelas. Anos atrás, em Louisville, eu fui
membro de uma antiga igreja cujo ministério estava definhando, por várias
razões. A maior parte da igreja era de pessoas idosas, muitas das quais
ministravam fielmente, mas sem liderança pastoral. As gerações mais novas já
haviam abandonado a igreja há muito tempo, e eu podia entender por quê. Além da
lealdade familiar, não havia muito que pudesse mantê-los ali. A pregação
consistia, basicamente, de histórias triviais sem nenhuma exposição séria das
Escrituras. A igreja era conduzida mais pela cultura do que pela teologia e, há
muito tempo, a cultura contemporânea a tinha deixado para trás.
Mas, na providência de Deus, havia
uma outra igreja na região (que se reunia em uma escola) onde o evangelho era
claramente proclamado. Essa igreja mais jovem desfrutava de vida, vitalidade e
sã doutrina, mas não tinha raízes na comunidade nem um local de culto próprio.
A solução óbvia era a fusão das duas congregações. Inicialmente, a ideia de uma
fusão foi rejeitada pela igreja mais antiga e necessitada. Elas eram diferentes
demais na teologia, na música, na cultura e em todos os outros pontos. Mas Deus
começou a, soberanamente, remover os oponentes dessa fusão e, gradualmente,
mudar os corações das pessoas em favor da entrada da nova igreja. Como da noite
para o dia – de uma dura oposição para uma aprovação congregacional quase
unânime –, Deus providencialmente orquestrou o início de uma nova obra ali em
Louisville, uma igreja que permanece vibrante e unidade até hoje.
Com tantas forças direcionadas contra
a reviravolta de uma igreja local, isso nunca acontecerá, a menos que Deus a
traga à existência. O cuidado providencial de Deus é essencial à reforma de uma
igreja e, por esse motivo, oração é essencial.
Parceria
Tente não fazer isso sozinho. Uma
reforma de igreja pode ser penosa, ingrata e desencorajadora. O cronograma não
é medido em meses, mas em anos. E uma reforma espiritual profunda não costuma
ser ostentosa. Deus usa os meios ordinários de graça para dar crescimento ao
seu povo e transformá-lo. Igrejas inconstantes podem se tornar impacientes e,
durante tempos de dificuldade, é proveitoso ter amigos.
Quando eu comecei a pastorear em
Dubai, havia um presbítero em particular que me encorajava nos momentos árduos.
Ele era um especialista em encontrar evidências da graça, mesmo quando eu
lidava com meus próprios erros pastorais e com os reveses que sempre ocorrem em
uma reforma de igreja. Quando elementos cruciais da reforma estavam em risco,
ele estava lá para estender a mão no exato momento. Se possível, faça parcerias
antes de mergulhar de cabeça num contexto de reforma. Não vá sozinho.
Esforce-se para identificar homens
que estejam respondendo ao ministério e permaneça ao lado deles. Considere da
mais alta prioridade o discipular homens da congregação para, um dia, serem
presbíteros e parceiros no ministério.
Paciência
Quantos pastores são demitidos por
tentarem impingir mudanças na igreja antes de a igreja estar pronta? Quantos
esforços de reforma são ameaçados pela impaciência de líderes que, talvez,
soubessem a coisa certa a fazer, mas falharam em dispender o tempo necessário
para ensinar, orar e servir o povo a fim de ganhar a sua confiança e
persuadi-los nos pontos que precisavam de reforma? Lembre-se da advertência de
Paulo a Timóteo: “Corrige, repreende, exorta com toda a longanimidade e
doutrina” (2Timóteo 4.2). O fato de você saber quais problemas existem não
significa que todos eles precisem ser resolvidos imediatamente.
Quando eu comecei a pastorear em
Dubai, alguém me lembrou, de modo proveitoso, de que aquela não era “minha”
igreja. Em outras palavras, as pessoas ali e o seu estado de maturidade espiritual
eram o fruto do ministério de outro pastor, não do meu. Eu não poderia chegar e
esperar que a igreja imediatamente adotasse minhas visões quanto à vida da
igreja e ao seu ministério. Isso me libertou para servir com contentamento
pessoas que nem sempre partilhavam das minhas convicções sobre a Bíblia ou o
ministério. Mas, depois de alguns anos, aquele quadro começou a mudar.
Tenha visão de longo alcance no que
se refere à reforma de uma igreja. É proveitoso ter um horizonte de dez a vinte
anos. Com uma perspectiva de longo prazo, nós podemos priorizar com mais
paciência as áreas da vida da igreja que precisam de mudança. Podemos operar
com mais contentamento em um ambiente de ministério imperfeito, até mesmo
quando pedimos às pessoas que perdoem também as nossas fraquezas pessoais.
Existem, contudo, duas coisas que um
pastor pode começar a mudar tão logo chegue à nova igreja: pregação e
membresia. No primeiro dia, você pode sustentar a autoridade das Escrituras na
maneira como prega, extraindo os pontos do sermão diretamente do próprio texto
e mostrando que você mesmo é governado pelo texto. Segundo, você pode
imediatamente começar a entrevistar novos membros, à medida que chegarem. Desse
modo, você pode:
·
assegurar-se, tanto quanto possível, de que eles
são crentes genuínos;
·
assegurar-se de que eles entendem e podem articular
o evangelho;
·
expor as suas expectativas quanto à membresia da
igreja;
·
e começar a estabelecer um relacionamento pastoral
com os novos membros que chegam, o que, ao longo do tempo, afetará o caráter da
igreja como um todo.
Poucas coisas superam uma visão da
“primeira fila” de uma reforma de igreja
Por fim, há poucas coisas que superam
assistir a uma igreja mudar de doente e irrelevante para bíblica e vibrante. O
único modo como isso ocorrerá é se a Palavra de Deus for devidamente pregada.
Ainda assim, alguns esforços de reforma falham, a despeito de púlpitos fiéis; o
Senhor deve estar operando para mudar a rota do barco. Você terá mais chances
de sucesso na maratona se tiver alguns irmãos que estejam labutando com você na
obra. Mas, mesmo com todas essas coisas no lugar, você deve ter uma perspectiva
de longo prazo para a reforma da igreja. “Eis que o lavrador aguarda com
paciência o precioso fruto da terra, até receber as primeiras e as últimas
chuvas. Sede vós também pacientes” (Tiago 5.7-8).
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Fonte: Ministério Fiel

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