John
Bunyan nasceu em 1628, em Elstow, próximo a Bedford, filho de Thomas Bunyan e Margaret
Bentley.
Thomas Bunyan, um caldereiro ou latoeiro, era pobre, mas não
necessitado. Aos dezesseis anos ele perdeu sua mãe e um mês depois sua irmã. No
prazo de um mês seu pai casou-se novamente. Bunyan tornou-se revoltado e
obstinado, muitas vezes entregando-se à blasfêmia. Mais tarde, ele escreveu:
“Era o meu deleite ser levado cativo pelo diabo à sua vontade: estando cheio de
toda iniquidade; que desde a infância eu tinha apenas poucos comparáveis
(iguais, equivalentes), tanto para amaldiçoar, praguejar, mentir e blasfemar
contra o santo nome de Deus”
(Obras de Bunyan , ed. George Offor, 1:6).

Pouco temos de sua experiência no exército, porém com
dezesseis os ele foi recrutado pelas forças parlamentares para um período de
dois a três anos. O testemunho de conversão de João Bunyan é descrito seu livro
Grace Abounding to the Chief of Sinners (Graça Abundante para o Principal dos
Pecadores). Por exemplo, após vir um sermão sobre o dia do Senhor ele voltou
para casa um peso no espírito. No entanto, mais tarde ele saiu para fazer parte
num jogo de “gato”. Quando era sua vez de pegar bastão, ele ouviu uma voz do
céu: “você vai deixar seus pecados e ir para o céu ou vai abraçar seus pecados
e ir para o inferno?” Ele parou de jogar imediatamente e disse ter visto o
Senhor Jesus olhando para ele. Mesmo depois disso ele voltou velho hábito de
jogar aos sábados e continuou incrédulo. Posteriormente, ao ouvir mais uma vez
algumas mulheres falarem sobre o novo nascimento, ele ficou convicto de seu
pecado outra vez. Essas mesmas mulheres apresentaram-no seu pastor, em Bedford,
um excelente homem chamado John Gifford. Ele foi o instrumento para levar
Bunyan ao arrependimento e à fé.
Após sua dramática
conversão, Bunyan dedicou-se à tarefa de pregar o Evangelho. Em 1653, Bunyan
tornou-se membro de igreja e um ano mais tarde mudou-se para Bedford com sua
esposa quatro filhos, todos com menos de seis anos de idade. Em 1655 tornou-se
diácono da igreja e começou a pregar. Nessa época sua esposa faleceu. Por não
ser um ministro ordenado pela Igreja da Inglaterra, ele foi sucessivamente
encarcerado por causa de sua atividade de pregação, tendo passado um total de
12 anos na prisão. Em 1660 ele foi preso por pregar, algum tempo antes disso
uma jovem mulher piedosa concordou em casar-se com ele. Embora sua segunda
esposa cuidasse das crianças, a presença de Bunyan era muito requisitada em casa. Era agonizante, mas ele recusara-se a comprometer sua consciência e
preferiu a prisão do que concordar com a Igreja da Inglaterra ou parar de pregar.
Doze anos de confinamento na prisão aconteceram desde os trinta e dois aos
quarenta e quatro anos. Ele amava especialmente sua filha cega que ia à prisão
para trabalhar com ele, a fim de fazer cadarços de sapatos e assim ajudar a
alimentar a família.
| Ilustração do livro " O Peregrino" |
| Pintura de Bunyan com sua filha na prisão |
Na prisão, enquanto ele escrevia muitas de suas melhores
obras, sua biblioteca consistia de sua Bíblia, uma concordância e o Foxe’s Book
of Martyrs (O Livro dos Mártires, por John Foxe). Lá ele deu início à sua obra
prima mais conhecida: The Pilgrim’s Progress (O Peregrino), uma obra magistral
e best-seller de todos os tempos, perdendo apenas para a Bíblia. Depois das
Escrituras este é geralmente o segundo livro a ser traduzido para outras
línguas.
Eventualmente, através da influência e da intervenção de
John Owen, Bunyan foi libertado e salvo de mais um longo período na prisão.
Como acontecia com John Rogers, de Dedham, uma extraordinária unção acompanhava
a pregação de João Bunyan, o qual, dentre todos, era o mais imaginativo,
eloquente e atrativo pregador de seu tempo. Seu uso de alegorias era único.
John Owen dizia que ele trocaria alegremente todo o seu conhecimento se apenas
pudesse pregar como Bunyan. Quando John Bunyan visitou Londres sua pregação
atraiu milhares ao invés de centenas.
Quando John Newton (1725-1807), o autor do famoso hino Graça
Eterna (Amazing Grace), refletiu sobre um período extremamente difícil na vida de Bunyan,
observou: “O Senhor tem razões, muito além de nossa compreensão, para abrir uma
imensa porta, enquanto fecha a boca de um pregador útil. John Bunya não teria
realizado metade do bem que fez, se tivesse continuado a pregar em Bedford, em vez
de ficar calado na prisão desta cidade por doze anos”.
O estilo de escrever de Bunyan é poderoso e a maneira como
ele usa o inglês é um prazer para qualquer leitor. Todas obra completa de
Bunyan foi publicada pela Banner of Truth Trust em belos volumes ilustrados.
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Referências:
HULSE, Erroll. Quem foram os Puritanos? ...e o que eles
ensinaram. Traduzido por Maria Judith Prada Menga, 1ª edição. São Paulo: PES,
2004. p. 121-125.
BEEKE, Joel; PEDERSON, Randall. 16 Biografias Puritanas.
Extraído de Conheça os puritanos. Disponível:<http://www.monergism.com/thethreshold/articles/onsite/meetthepuritans/ABriefHistory.html>.
Acesso em: 23 de setembro de 2013.
HAYKIN, Michael. Introdução - John Bunyan (1628 – 1688). In:
BUNYAN, John. Graça Abundante ao principal dos pecadores. 1ª edição. São Paulo:
Editora Fiel, 2012, p. 7-16.
Via: O Estandarte de Cristo
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