A tríplice
advertência de Paulo (cuidado, cuidado, cuidado) é um alerta que nos serve até
nesta era presente. A palavra no original grego é βλέπετε (blepete)
e ocorre 33 em todo o Novo Testamento. Ela dá a ideia de que é preciso estar
atento, de olhos bem abertos, vigiar e cuidar-se para não correr riscos. Daí
você pergunta: Quais riscos? O que estaria ameaçando os irmãos em Filipos? A
mesma coisa que tem ameaçado as igrejas brasileiras: um ensino falso que despreza
a Graça e a suficiência de Cristo.
Os cães, os que
praticam o mal (ou maus obreiros) e os da falsa circuncisão são referências ao
mesmo tipo de pessoas e não à três tipos distintos. O Apóstolo fala aqui de um
grupo que lhe deu muito trabalho: os seus próprios patrícios, os judeus. No
encalce do ministério paulino estavam judeus e prosélitos, que com suas ações e
ensino (as más obras) prejudicavam o crescimento espiritual das congregações,
fazendo com que muitos se submetessem aos ritos da antiga aliança, na qual
Jesus Cristo, já havia cumprido.
A Carta aos Gálatas
é o grande tratado teológico e apologético contra os “judaizantes”, todavia,
eles não estavam apenas na região da Galácia. Onde quer que Paulo fosse,
encontrava um grupo que coagia os crentes para que estes aderissem a
circuncisão. De uma maneira severa, Paulo os chama de cães. A figura canina
para um oriental do primeiro século, estava bem longe da que temos hoje. O cão,
naquele contexto, não era domesticado e nem era o amigo do homem. Tal animal
era selvagem e andava em matilha em busca de alimentos. A ideia é a de que os
judaizantes eram semelhantes, com seus “latidos moralistas” vagueando as
cidades. Mas, a expressão também era usada pelos judeus de modo pejorativo para
se referir aos gentios. E aqui a palavra cão ganha a conotação de “imundo”. Só
que agora, o Apóstolo inverte o termo e afirma que os cães não são os gentios,
mas sim os tais judeus.
A Graça é um
conceito difícil de compreendermos, pois, temos uma cosmovisão meritocrática do
mundo. Tudo ou quase tudo é recebido por algo que você se esforçou para
realizar. O homem, a cada conquista, quer olhar para seu reflexo no espelho e
dizer para si mesmo: “Eu consegui. Eu sou o cara”. É por isso que muitos
questionam a eleição incondicional e desprezam a ideia de que não fizemos
absolutamente nada para sermos salvos. Assim eram esses judeus. Eles queriam
fazer por merecer a salvação. Precisavam demonstrar isso através da observância
da lei. Queriam externalizar sua moralidade e por isso levantavam a bandeira da
circuncisão. Cristo morreu na cruz para nos remir – pensavam - mas precisamos
completar a sua obra nos circuncidando e guardando diversos rituais e regras.
Paulo em sua carta
aos Gálatas (Gl 5.2) afirmou que caso os cristãos cedessem a pressão dos
judaizantes e fossem circuncidados, eles estariam tornando inútil o sacrifício
de Cristo Jesus. Precisamos entender de uma vez por todas que não fizemos e
nunca iríamos fazer algo capaz de nos tirar da cegueira espiritual e nos dar
uma visão perfeita do que é divino. Nunca teríamos saído da morte para a vida
se Deus não nos vivificasse por meio do Seu Filho. Tomar alguma atitude na
intenção de se tornar justo aos olhos do SENHOR é reduzir o evento da cruz a
algo incompleto, quando na verdade ele é suficiente para nos purificar de toda
e qualquer iniquidade.
Vemos hoje práticas
judaizantes em toda a parte. O evangelicalismo brasileiro vive afogado nessas
práticas. Quem aqui nunca viu uma réplica da bandeira do Estado israelense em
algum gabinete pastoral? Pois é, e isso é o de menos. A coisa fica muito mais
séria. Tem até um ramo da teologia que coloca Israel numa posição privilegiada
em relação as outras nacionalidades. Só que Paulo deixa claro que o povo de
Deus não são os judeus, simplesmente por serem judeus. Obviamente que alguns
deles eram salvos, o próprio apóstolo vai citar a si próprio como exemplo.
Todavia, a maioria, por ser hostil ao evangelho, foi chamada de falsa circuncisão.
E se é falsa, isto quer dizer que existe uma verdadeira. E quem é? Eis a
resposta:
“Pois nós é que
somos a circuncisão, nós que adoramos pelo Espírito de Deus, que nos gloriamos
em Cristo Jesus e não temos confiança alguma na carne” - Filipenses
3:3 (NVI).
O “judeu legítimo” é
todo aquele que deposita a sua fé exclusivamente em Cristo e em mais nada. Há
muitos cães que se consideram limpos. Eles negam a graça e se acham merecedores
do Reino dos Céus. Não reconhecem a sua imundície. Tais homens querem
ousadamente completar o que já está completo. Por isso ao invés da cruz, a rosa
ungida e tantos outros amuletos. Não pense você que este negócio na rosa está
fora de moda. existe uma igreja em uma das mais movimentadas avenidas da cidade
do Recife convidando as pessoas a irem para um culto de libertação pegar a sua
rosinha. O alerta continua sendo o mesmo. Por isso fique bastante esperto para
não ser abocanhado por um canino engravatado que presta um enorme desserviço à
Igreja através de suas heresias.
Cuidado! Cuidado!
Cuidado!
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Fonte: Bereianos

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